sábado, 20 de novembro de 2010

- Não te amo mais. Tchau!
Foram minhas últimas palavras naquela noite. Eu precisava dizer algo que fizesse ele desistir de mim. Ainda vejo seu rosto incrédulo nos meus sonhos, seguido daquele choro, ele que sempre foi um menino.
Espero que um dia ele me perdoe. Eu não tinha saída, éramos de mundos tão diferentes. Eu com meus sonhos de me tornar bailarina e ele não tinha pressa para ter um futuro, sempre teve tudo em suas mãos.
Entro no avião e me surpreendo ao ver quem se senta ao meu lado. Era ele, um pouco mais velho é claro, mas ainda com aquele ar de menino. Trocamos algumas palavras e ele revela que agora era médico. Fico feliz e do um sorriso. Ele me pergunta se eu havia realizado meu sonho, faço que sim com a cabeça.
Conto minha trajetória no caminho da dança e conto que agora sou professora, porque assim o destino quis. Vejo que ele me olha sem entender, comento do acidente que tive e que me fez mudar os planos.
Acho que ele me entendeu. E vejo que ele me olha fixamente e pergunta:
- Só não entendo uma coisa. O que deu errado entre nós?
Sem desviar meus olhos dos dele, respondo:
- Eu achei que sabia do meu futuro.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010


Achei que tinha visto você. Passeando pela rua.
Eu podia jurar. Tinha o mesmo jeito meio largado de andar, o mesmo corte de cabelo, o mesmo estilo de roupa [sabe aquele estilo em que nada combina com nada, risos].
Eu achei mesmo que tava vendo você e acelerei o passo. Precisava ver seu rosto mais uma vez, mesmo sabendo que eu tinha ele na minha memória, de um jeito assim tão vivo, com todas as suas imperfeições, que eu conhecia tão bem.
Quando achei que tinha te alcançado, você virou o rosto e sorriu pra mim. Como é possível? Até o sorriso era o mesmo. Mas não era você...a saudade era tanta que passei a te ver em todos os lugares, em todas as pessoas.
                      


segunda-feira, 20 de setembro de 2010

É só um beijo


       Eu disse pra ele que não queria me envolver. Desde o início deixei tudo explicado, ou era o que eu queria acreditar. [Fico meio pensativa por alguns minutos ao tentar organizar meus pensamentos.]  
      Talvez, de alguma forma eu não tenha demonstrado tão bem a falta de interesse. Mas que culpa que eu tenho, ele tem todo aquele jeito carinhoso, e me faz rir tanto que me deixa confusa quanto as minhas decisões.
       Ele sempre me olha com aquela cara de cachorro abandonado e me pede sem a menor vergonha:
       - Me dá um beijo?
       Como sempre, fico rindo, não sei se é charme ou se é meu jeito, mas me fazer de difícil já é algo automático.
       - Não...[Fico rindo quando vejo a carinha dele.]
       Ele se aproxima ignorando completamente o que eu digo.
       - É só um beijo.
       Eu desisto de falar e deixo que ele se aproxime, mas não posso evitar o sorriso no meu rosto. É difícil confessar que ele sempre ganha e não sei como eu ainda consigo achar graça.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

...

       Enquanto passeava distraída pelas ruas eu lembrava da nossa conversa, talvez eu nunca consiga esquecer. Foi há tanto tempo e aquela lembrança ainda parece tão viva em minha memória...

       - Acho que a gente deve conversar. [Ele disse]
       - Conversar? Mas sobre o que? Eu já disse tudo que achava, é você que parece não escutar o que eu digo.
       [Ele ri]
       - Lá vem você com esse discurso. A culpa é sempre minha. Você está sempre reclamando, dizendo que não te dou atenção. Mas eu estou sempre aqui com você.
       - Aqui onde Matheus? Porque seu corpo pode estar aqui, mas sua mente está tão distante ultimamente. Não sinto mais você próximo a mim.
       - Não diz isso! Eu estou tentando...
       - Não está! [Sinto como se estivesse a ponto de chorar, mas prendo. Não posso mostrar a ele o quanto ele está me magoando com essa ausência.]
       - Não quero que acabe assim...desse jeito. Éramos tão perfeitos juntos.
       - Você disse tudo. Éramos...
       - Mas Lu, ainda podemos ser. Eu quero tentar, só não agüento ser cobrado o tempo todo.
       - Esse é o problema. Eu acho que gosto mais de você do que você de mim.

       E os dois ficaram se olhando por alguns minutos, que pareceram longas horas e sorriram. Um olhar às vezes fala mais do que as palavras. Foi nesse silêncio que eles entenderam que estavam em tempos diferentes e que um sentimento nunca tem a mesma intensidade para os dois lados.